Vídeo-cassete

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Hoje estamos tão acostumados a ter ao nosso alcance nossos filmes ou séries favoritos, seja em DVDs ou no computador, que é difícil lembrar o maravilhoso impacto que o surgimento do vídeo-cassete doméstico teve em nossas vidas. Creio que não seria exagero dizer que esse aparelho redefiniu nossa relação com o cinema, a televisão e a diversão doméstica. E lá íamos nós, na sexta-feira à tarde, procurar novos lançamentos na locadora e aproveitar alguma promoção de alugue 3 e pague 2, para passarmos parte do fim de semana curtindo nossos filmes, séries japonesas ou animes (palavra desconhecida na época) favoritos. E, claro, não podíamos nos esquecer de rebobinar as fitas antes de devolvê-las na segunda de manhã. Algumas locadoras até cobravam uma multa de quem não rebobinasse as fitas.

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O primeiro Vídeocassete desenvolvido foi U-matic da Sony, introduzido comercialmente em setembro de 1971. Até o final da década de 1970, a gravação em meio magnético era feita com video-tapes (videoteipes), aparelhos que utilizavam fitas magnéticas de 1 ou 2 polegadas de largura acondicionadas em carreteis. Os equipamentos eram caros e pesados e seu uso para o mercado amador praticamente inexistia. Usou-se então para o vídeo o conceito de “cassete” desenvolvido pela Philips nos anos 60 para as fitas de áudio, onde os carreteis das fitas para gravadores de áudio foram colocados em uma caixinha plástica. Do mesmo modo a fita de vídeo foi montada em uma caixa com uma tampa retrátil que permitiria sua colocação no gravador de maneira mais rápida e prática (sem precisar passar ao redor da cabeça de leitura ou por polias) além de ser protegida do contato com as mãos.
As primeiras máquinas não tinham os sintonizadores de televisão ou timers (relógios para gravação), mas logo vislumbrou-se que o potencial do mercado seria o de se gravar em casa a programação da televisão, o que fez com que os aparelhos fossem desenvolvidos neste sentido.
Por volta de 1980 existiam três formatos competindo, cada um com um diferente formato de fita cassete fisicamente incompatível.
Videocassete no Brasil
O mercado de VCRs no Brasil explodiu na década de 1980. Os primeiros aparelhos eram importados, legal ou ilegalmente, e por se tratarem de equipamentos projetados para o mercado americano funcionavam em NTSC, assim necessitavam de uma adaptação para funcionarem com padrão de televisão em cores adotado no Brasil, o PAL-M. A SONY passou a importar os Betamax do Panamá já adaptados para o sistema brasileiro, enquanto os VHS eram praticamente todos contrabandeados a um preço muito menor e adaptados em oficinas de manutenção de equipamentos eletrônicos, o que facilitou sua difusão (vide acima em “Os formatos Betamax e VHS”).
Nestes tempos iniciais do videocassete no Brasil, o mercado de fitas pré-gravadas também se caracterizava pela informalidade. A maneira de se conseguir filmes e programas era se filiar a um “vídeo-clube” onde a condição de entrada para os novos sócios era fornecer uma certa quantidade de fitas que integrariam o acervo do clube para serem “emprestadas” a outros sócios. Não havia cobrança de aluguel, mas sim de uma “taxa de manutenção”. A maior parte das fitas era comprada no exterior (sem legendas) ou pirateada. No final da década de 80 com uma maior oferta de fitas legendadas distribuídas legalmente começou a pressão dos distribuidores ligados aos grandes estúdios e os vídeo-clubes precisaram se legalizar para não violar os direitos autorais, passando a comprar fitas legais e transformando-se com o tempo em locadoras.
A Abertura da economia brasileira, a partir de 1990, também contribuiu para a legalização, fazendo com que fitas de video legais importadas tornassem mais acessiveis, bem como serem produzidas no formato PAL-M no Brasil, substituindo progressivamente as fitas piratas contrabandeadas.

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O primeiro aparelho de VCR fabricado no Brasil foi um VHS lançado em 1982 pela Sharp. Cerca de um ano depois a Philco lançou o seu e logo outros fabricantes inundaram o mercado com seus modelos. Quase todos usavam o formato VHS, com exceção da Sony que passou a produzir aqui seu Betamax. Com a dominância do VHS no mercado de aparelhos a quantidade de material pré-gravado em Betamax era pequena o que acelerou ainda mais sua decadência como formato de vídeo doméstico.

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